Cheiro da Terceira idade, existe?

Existe um odor corporal que tende a se tornar mais característico com o envelhecimento, e ele não está necessariamente relacionado à falta de higiene. Há alterações químicas da pele que ajudam a explicar esse fenômeno.
Um dos compostos mais estudados é o 2-nonenal, um aldeído volátil cujo nível na superfície da pele tende a aumentar com o envelhecimento.
Ele é formado principalmente pela oxidação de ácidos graxos presentes nos lipídios da pele.
Seu odor costuma ser descrito como gorduroso, herbáceo ou levemente rançoso. Curiosamente, o mecanismo é diferente do odor típico do suor: o 2-nonenal pode permanecer perceptível mesmo quando a pessoa sua pouco.
Com o envelhecimento, vários fatores podem favorecer essa alteração, mudanças na composição dos lipídios da pele, maior suscetibilidade à oxidação, alterações das glândulas sebáceas e sudoríparas e mudanças no microbioma cutâneo.
Medicamentos, doenças, higiene oral, incontinência, roupas e alimentação também podem modificar o odor individual.
A alimentação pode ajudar, no entanto,
não há uma dieta comprovada especificamente para eliminar o 2-nonenal em idosos.
Entretanto, como sua formação envolve oxidação lipídica, uma alimentação que favoreça menor estresse oxidativo e boa saúde metabólica é biologicamente interessante.
Desta forma, como tentativa de melhora, podemos priorizar alguns alimentos
– Frutas e vegetais variados, especialmente fontes de vitamina C, carotenoides e polifenóis: frutas cítricas, frutas vermelhas, tomate, cenoura, folhas verde-escuras, brócolis.
– Azeite de oliva, castanhas e sementes.
– Boa hidratação, especialmente porque idosos frequentemente apresentam redução da percepção de sede.
– Alimentação globalmente próxima ao padrão mediterrâneo, em vez de buscar um alimento isolado para combater o odor.
Também vale observar alimentos que podem intensificar temporariamente odores corporais em algumas pessoas, como alho, cebola, álcool e grandes quantidades de algumas especiarias.
Um ponto interessante:
Existe uma sequência fisiológica fácil de explicar:
envelhecimento da pele → alteração dos lipídios cutâneos → maior oxidação → formação de 2-nonenal → mudança do odor corporal.
Ainda não temos evidência suficiente para afirmar que determinado alimento ou suplemento reduza especificamente o chamado “odor do envelhecimento”.
Se o odor surgir repentinamente, ficar muito intenso ou mudar bastante de característica, não convém atribuí-lo simplesmente à idade. Alterações metabólicas, infecções, problemas dentários, renais ou hepáticos e alguns medicamentos também podem modificar o odor corporal.
Dr. Daniel Magnoni